SER INTELIGENTE... PODE NÃO SER O SUFICIENTE...por Tarita Dalmarco - Portal Papillon

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SER INTELIGENTE... PODE NÃO SER O SUFICIENTE...por Tarita Dalmarco

SER INTELIGENTE... PODE NÃO SER O SUFICIENTE...

O domínio do conhecimento técnico por muito tempo foi o aspecto mais considerado nos ambientes organizacionais, sendo o desejado quando se pensava em contratar. Realmente, isso é e sempre será relevante. Nessa época, antes do advento da internet, o acesso ao conhecimento era mais restrito, não estando ao alcance da maioria. Cursar uma graduação era privilégio de poucos, por vários motivos, fossem eles financeiros, por questões culturais, o difícil acesso às escolas (uma vez que elas se concentravam nos grandes centros)... Havia também uma crença de que isso não era para qualquer um; faltava incentivo e confiança nas próprias habilidades e possibilidades. Um olhar quase determinista “condenava” aqueles nascidos em famílias de pouco poder aquisitivo a conformarem-se com seu destino...
O conceito de inteligência vigente nessa época restringia-se muito à capacidade analítica das pessoas, aparecendo em certos tipos de atividade, em particular na matemática e no uso das palavras, sendo possível medi-la por meio de testes de múltipla escolha. Aqueles em que o desempenho ficava acima da média, dentro das escalas dos resultados, recebiam o título de inteligentes. Esse processo quantificava a inteligência individual de forma fixa, demonstrando ser impossível aumentá-la.

Os tempos foram passando e esse conceito de inteligência mostrou-se limitado e determinista. Percebeu-se que o ser humano tem inúmeras possibilidades e, com elas, vários tipos de inteligência, surgindo então o conceito de Inteligência Emocional, ampliando assim o leque de competências reconhecidas nas pessoas. O tempo mostrou também que de nada adiantava possuir um QI (Quociente de Inteligência) alto e pouca ou nenhuma capacidade nos relacionamentos interpessoais. Pessoas com dificuldade na área das Exatas, por exemplo, poderiam ter destaque em outras áreas, demonstrando que o conceito restrito de inteligência até então vigente estava perdendo o seu lugar.
Crescemos no “modo automático” acreditando, inconscientemente, que somos ou deveríamos ser perfeitos, fruto das projeções e expectativas sobre nós lançadas pelos nossos cuidadores. Essa crença intrínseca de alguma forma direciona nosso comportamento. Comportamento esse que nos leva a assumir atitudes de defesa e negação, dificultando ou tirando a possibilidade de honrarmos nossas competências, positivas e/ou negativas, e de investir no desenvolvimento daquilo em que podemos evoluir, já que somos humanos e, enquanto humanos, imperfeitos. Assumir nossas competências positivas também é difícil; afinal, o que fazemos bem-feito tende a ser visto como obrigação. Ou, por outro lado, como excesso de vaidade, exibicionismo ou egoísmo.

Assim, atualmente, além das capacidades intelectuais, faz-se necessário desenvolver outras capacidades/competências que otimizarão a conquista dos resultados desejados. Do que vale um alto nível intelectual se na outra mão estiver uma significativa dificuldade nos relacionamentos interpessoais, traduzida na forma de um baixo espírito de trabalho em equipe, demasiada competitividade (muitas vezes fruto de insegurança), dificuldade de exercer autoridade, comunicação violenta ou falta de comunicação, entre tantos outros?

O grande diferencial estará naqueles que tiverem a disposição de olhar para si mesmos, identificando claramente suas competências inatas ou já desenvolvidas. Mas, também, na capacidade de olhar de forma honesta e interessada para o que ainda pode ser desenvolvido diante das tarefas a serem realizadas, ampliando, assim, a possibilidade de otimizar a qualidade dos frutos colhidos na trajetória pessoal e profissional.
Buscar auxílio profissional no sentido de ampliar o autoconhecimento, até pouco tempo, seria visto com certo preconceito uma vez que, ao buscar ajuda, assume-se que, supostamente, não se sabe tudo. Esse conceito — ou preconceito — mudou. Hoje esse é e será sempre um diferencial para aqueles que caminharem nessa direção, pois ter consciência das nossas dificuldades nos fortalecerá na busca do desenvolvimento de novas competências. Incorporar a atitude de olhar-se, aceitando o fato de não sermos perfeitos, é um dos grandes e importantes investimentos que podemos fazer para estarmos mais inteiros e alinhados entre o que queremos fazer e o que efetivamente conseguimos fazer.

Sucesso para todos!!!

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O segredo é não correr atrás das Borgoletas, é cuidar do jardim para que elas venham até você!

Mário Quintana

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